Amor, coisa de amadores



Pagar as contas em dia, fazer reservas para o futuro, votar na reunião do condomínio, presidir a associação do bairro, ser o melhor aluno da turma, o filho exemplar, o pai de família, o homem de bem, gente importante. Fazer fortuna. Isso é para os profissionais. Agora o amor, desse só entendem os amadores.

Foto: Arquivo/Estadão

Por Simão Mairins

Os amadores têm pressa e não sabem esperar para amanhã. São um desastre no mercado futuro. São irracionais e colocam tudo a perder por qualquer coisa que lhes valha. Andam caminho errado pela simples alegria de ser. 

São furiosos e sempre fazem tudo do jeito mais complicado de se fazer. Não gostam que ninguém lhes aponte o caminho, preferem andar sozinhos, decidir a própria vida. Nunca fazem o que o mestre manda. 

Não vendem a alma ao diabo. Na verdade, Deus e o diabo sabem que esse é um mau negócio.

Dia desses conheci um amador. Tinha toda pinta de profissional, mas ficou louco. Disse que no escritório em que trabalhava e ficava rico, quanto mais multiplicava, mais diminuía seu amor. Colocou fogo em tudo e sumiu.

Amadores fazem promessas e avisam que talvez não cumpram. Chamam para viver e correr perigo, mas não obrigam ninguém a nada. Não têm medo da morte e não se importam de morrer pela única coisa que sabem fazer direito.

Amadores têm boa memória, mas o passado quase sempre é uma roupa que não lhes cabe mais. 

Amadores largam a escola para cantar em cabarés.

São pessimistas, mas lutam até o fim.

Quando não conseguem mais lutar, preferem se recolher a juntarem-se ao inimigo.

Os profissionais vivem mais. Mas os amadores vivem para sempre.


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