Que vergonha, professores!




Hoje, 14 de março, é um dia qualquer no calendário. Para alguns professores brasileiros, entretanto, não. Hoje começa a grande paralisação da categoria em todo o país, que segue até sexta-feira (16) e tem como objetivo cobrar o cumprimento do piso salarial nacional, o que para uma parcela considerável dos “interessados” significa uma coisa: ficar em casa ou poder ir à praia em um dia qualquer do calendário.

No meio da manhã de hoje, passei uns 20 minutos esperando ônibus próximo à Praça da Paz, no bairro dos Bancários, em João Pessoa/PB. Enquanto aguardava, pude observar, lá no meio da praça, não menos que cinco nem mais que 10 pessoas, que falavam alguma coisa no microfone, recitavam alguns versos e cantavam. No início, não entendi bem do que se tratava. Mas logo que consegui entender o que diziam, me toquei de que era uma das manifestações dos professores programadas para acontecer na cidade.

Não era cedo. Aquelas pessoas também não haviam acabado de chegar (já havia um equipamento de som e uma barraca montados e vários cartazes afixados nas redondezas). Sinto que além dos que estavam ali, poucos deveriam ainda chegar. Só no bairro dos Bancários e conjuntos próximos, entretanto, podemos contabilizar pelo menos umas dez escolas (onde devem trabalhar algumas dezenas de professores) todas com atividades devidamente paralisadas para que os profissionais pudessem se engajar na luta por seus próprios interesses.

Diante de um cenário desses, é impossível não me perguntar como é que podemos esperar que esses profissionais se engajem na luta pela melhoria da educação brasileira, se nem para cobrar um aumento de salário eles são capazes de colocar a cara na rua. Eu tenho plena consciência de que raramente uma mobilização consegue adesão massiva, mas é difícil aceitar o desinteresse, falta de consciência política ou seja lá o que for de uma categoria tão importante para a formação da sociedade que imaginamos para o futuro.

Sou filho de professora, uma mulher de origem humilde, que estudou no interior e se formou sem uma influência ideológica tão grande quanto a que pude perceber quando estudei em uma universidade da capital. Mesmo assim, não lembro de tê-la visto de pernas para cima em um dia de greve.

Continuo tendo muita fé nos incansáveis batalhadores, que neste momento estão nas ruas, mantendo viva a esperança de que as coisas podem mudar. E deixo uma dica: em vez de programarem a próxima manifestação na praça, montem a barraca na praia. Desse jeito, pode ser que os outros colegas deem uma passadinha.


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2 comentários

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Anônimo
AUTOR
20 de março de 2012 07:53

Fico triste com o título de seu artigo e um tanto com o que o mesmo diz, por isso sentimo-se na obrigação de lhe fazer um esclarecimento. O movimento que você 'viu' no dia 14/03, na praça da Paz, nos Bancários, não fazia parte da programação do SINTEM ou SINTEP, foi construído dentro de uma escola, a ARUANDA, pel@s professores/as, que dicidimos montar barraca na praça e informar os motivos da paralilzação; Tivemos a presença de profissionais de outras escolas; o dia era dedicado ao dia Nacional da poesia.
Agora, concordo com você acerca da (des)mobilização de nossa categoria, precisamos avançar muito mais, atém mesmo mudarmos nossas 'lideranças', a frente do movimento.
Um abraço fraterno, FRANCINALDO, PROFESSOR DE HISTÓRIA.
OBS.: Estive o dia inteiro na praça no dia mencionado.

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20 de março de 2012 08:35

Nobre Francinaldo, peço que não me interprete mal. No texto, faço questão de deixar claro que minha crítica não é genérico à categoria docente. Inclusive, ressalto meu apreço e admiração pelos que lutaram nesse dia e lutam diariamente, como você, segundo o que informa aqui no comentário. Critico apenas o fato de boa parte dos que deveriam estar na rua não estarem. E peço que os que estiveram na praça ou em qualquer outro lugar não se sintam ofendidos. Não acho que o fato de poucas pessoas participarem seja culpa de quem participa. Pelo contrário. Quem está lá merece todo respeito e reconhecimento, como fiz e sempre faço aqui.

Um grande abraço, amigo.

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