Os Pinheirinhos de João Pessoa/PB




Foto: GeoNando (www.flickr.com/daveiga)


Sempre brilhante, minha amiga Jana deixou um comentário no meu texto “Um habeas corpus para entrar” que, para mim, ficou melhor que o próprio texto. E por isso destaco aqui:

Poxa, brilhante, Simão!

Pinheirinho é um exemplo triste da cruel realidade que a especulação imobiliária e o latifúndio tem desenhado no país.

Em João Pessoa, não falta muito para que se aplique este mesmo esquema. Como é o caso da comunidade Porto do Capim e da Penha, a primeira "dará" lugar a um Porto Turístico e a segunda a um Resort monumental.


Não podemos esquecer que o São José nasceu desta mesma situação. Os primeiros habitantes viviam tranquilos na Praia de Tambaú e foram exortados para aquela parte da cidade em nome da modernização da cidade, simbolizada pelo Hotel Tambaú. O restante dos moradores vieram do interior do estado em busca de uma vida melhor.

No São José, o Estado só passa de vez em quando, a maior parte das vezes para dar cacete no povo. Outras vezes, é o grande comerciante da região que dá uma passada por lá vestido de Papai Noel e cercado da turma da Rataplan. O conflito entre o bairro nobre, Manaíra, e a comunidade é tamanho que representantes dos moradores do asfalto já advogaram, em reuniões do orçamento democrático, que se investissem em muros para isolar os moradores e só permitir uma saída para eles. Até agora, pelo que sei, isto não aconteceu, mas depois de murado, você duvida que se exigirá a aquisição de caveirões?

O atual modelo de ocupação da cidade é símbolo de uma relação histórica de latifúndio e concentração de renda. Se Naji Nahas se diz dono da região, muitos já foram os donos de grandes parte de João Pessoa. A família Torres era dona da Torrelândia, os donos da fazenda "Boi só" do Bairro dos Estados... Enfim, o problema tá lá atrás e precisa ser resolvido com firmeza e coragem, duas coisas que gestão nenhuma tem condições de aplicar em suas ações, em virtude da estrutura política falida a qual estamos submetidos.

É preciso discutir e construir políticas Públicas eficazes para reverter este processo! E trazer esse debate para o nosso cotidiano, a comunicação deveria assumir este papel.

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