O veneno está na mesa, mas eles querem mais



Utilizando o Youtube como trincheira, vídeo da Basf Agro de 2010 é “ressucitado” diante da repercussão de novo documentário de Silvio Tendler contra o uso de agrotóxicos no Brasil

“Desde 2008, o Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos”. É assim que começa o novo documentário de Silvio Tendler, “O veneno está na mesma”. Parte da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, o filme tem percorrido cineclubes, sido objeto de debate em universidades e comunidades e já tem mais de 60 mil visualizações no Youtube.

“O que fazer por um planeta faminto?” É assim que começa o vídeo “Brasil: um planeta faminto e a agricultura brasileira”, produzido pela Basf Agro (uma das maiores produtoras do mundo de “soluções para agricultura”, como fungicidas, herbicidas e inseticidas, também conhecidos como agrotóxicos). Lançada no Youtube em 2010, a produção foi “ressucitada” há pouco tempo no Brasil, e difundida tendo como gancho o fato de ter atingido a marca de 2,4 milhões de espectadores através de diversas mídias (além do Youtube, onde já tem mais de 300 mil visualizações, o filmete foi veiculado na TV TAM e em salas de cinema).

Para muita gente, a discussão em torno do uso de agrotóxicos na agricultura brasileira pode até parecer mera conversa de ambientalista radical. Mas, a aparente reação de um das maiores empresas do setor mostra que o assunto não é bobagem. Em um país com as dimensões do nosso, incentivar a expansão das grandes plantações e, consequentemente, o uso dos chamados “defensivos agrícolas” é uma questão estratégica com um fim muito claro, independente dos meios: lucrar.

Mas o grande lance desse jogo, que merece uma análise mais crítica de todo mundo, é a forma como o interesse privado se sobrepõe ao bem público, e como o capital ainda faz diferença na hora de se difundir uma mensagem e formar opinião, mesmo numa época em que as redes sociais ajudam a fazer revoluções.

O uso dos agrotóxicos nos alimentos que comemos todos os dias é um assunto sério e merece uma discussão ampla e transparente.

Vejam os vídeos:





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