A última frase



A última vez em que usei agenda foi no dia 26 de novembro de 2010. Na primeira linha, um rabisco quase ilegível que, hoje, já leio com dificuldade: “Sesc, 20h”. Na última, já me prolongando até a página do dia 30, uma citação tão ininteligível quanto: “sobram medíocres na ABL”. Foi a última frase de efeito que consegui anotar das tantas que Moacyr Scliar falou naquela noite. A última, enfim.

Aqui, outras tantas:

ACADEMIA

“Tem muita gente medíocre nas academias, que entram por motivos extra-literários”.

POLÍTICA

“O sonho da minha geração era o sonho da transformação social”.

“A esquerda usou métodos de banditismo, não poderia dar certo. E não deu”.

ESCREVER

“Quando começamos, somos muito autobiográficos. A palavra ‘eu’ é muito presente em nosso texto”.

“O primeiro leitor para quem eu escrevo sou eu mesmo”.

“Tem uma tecla que é a grande amiga da literatura, que é a ‘deletar’”.

“A gaveta é um estágio interessante. Mas é um estágio temporário, porque o texto na gaveta adoece”.

MERCADO LITERÁRIO

“Se tu é escritor, ninguém vai querer saber se tu vive bem de livros. Querem saber se tu escreve bem”.

CRÍTICA

“Eu prefiro a crítica universitária. A universidade é o reduto da crítica literária”.

O FUTURO DO LIVRO

“O livro vai ser multimídia um dia, com entrevista do autor e várias outras funções relacionadas”.

RELIGIÃO

“Eu sou um leitor da Bíblia. Mas não sou um leitor religioso. É uma leitura literária”.


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